Entrevista inédita com a ganhadora do prêmio Abel, Karen Uhlenbeck, é lançada pelo INCTMat

O INCTMat organizou uma entrevista inédita com a única mulher a ganhar o prêmio Abel até o momento, a pesquisadora Karen Uhlenbeck. Para entrevistá-la, o INCTMat convidou as professoras Jaqueline Godoy Mesquita (UnB), María Amelia Salazar (UFF) e Miriam da Silva Pereira (UFPB) e a estudante de pós-graduação Patrícia Ewald (USP-SP).  Lorenzo J. Díaz (PUC-Rio) participou da elaboração e coordenação da entrevista. O professor Marcos Jardim (Unicamp) fez uma breve apresentação da entrevista. Finalmente, para montar esta entrevista, contou-se com o apoio de uma grande equipe de profissionais composta desde técnicos até tradutores.

Karen Uhlenbeck doutorou-se em 1968 na Universidade Brandeis sob a orientação de Richard Palais. Ela atua na área de análise geométrica, tendo tido contribuições de grande impacto na área. Ao longo de sua trajetória, ela tem recebido destacados prêmios e reconhecimentos. Uhlenbeck passou a maior parte da sua carreira acadêmica na Universidade do Texas em Austin e atualmente é pesquisadora visitante no Instituto de Estudos Avançados em Princeton.

Nesta entrevista, diversos aspectos da trajetória acadêmica de Uhlenbeck foram abordados sob uma perspectiva voltada para a realidade brasileira. Foram discutidos um amplo leque de tópicos, que vão desde sua pesquisa até questões sobre carreira acadêmica, participação em seminários, orientação e publicação de artigos. A entrevista traz importantes tópicos como a falta de representatividade feminina na área de matemática, a inclusão de minorias sub-representadas e a importância da diversidade na academia. Na entrevista, Uhlenbeck também relata os desafios enfrentados por ela e descreve algumas ações que estão sendo feitas para tentar reverter este cenário.

São quase 50 minutos de um bate-papo contagiante com uma das maiores autoridades na área de matemática. E a emoção de ter vivido este momento, estando lado a lado com essa cientista extremamente inspiradora, é narrado de forma bastante singular pelos organizadores da entrevista. Veja os depoimentos abaixo:

Foi a segunda vez que entrevistei a Karen, mas a emoção que senti foi igual a primeira. Estar lado a lado com uma pesquisadora do calibre da Karen e ter o privilégio de poder escutá-la falando sobre tantos temas importantes que lidamos cotidianamente enquanto cientistas foi simplesmente fascinante e impossível de descrever. Além disso, conhecer mais a Karen só fez aumentar ainda mais a minha admiração por ela. Sem dúvidas, ela é uma grande inspiração para todos e todas nós” diz Jaqueline G. Mesquita.

Participar na organização desta entrevista foi uma grande honra e desafio. Também foi muito divertido, as conversas preparatórias com Jaqueline, María Amelia, Miriam e Patrícia foram muito enriquecedoras. O contato com Karen durante todo o processo de preparação foi excelente. É uma grande sorte poder ter contato com uma pessoa tão marcante como Karen e escutar de primeira mão suas opiniões sempre vibrantes. Penso que o resultado final mostra bem o empolgamento de todos os envolvidos nesta entrevista” diz Lorenzo J. Díaz.

Eu me senti muito feliz por falar com uma pessoa desse calibre matemático. Além disso, eu gostei muito da Karen como pessoa. Uma mulher extremamente inteligente, direta e profunda. Ouvir suas experiências e conselhos sobre o mundo acadêmico e sobre ser mulher na matemática, validou e esclareceu algumas de minhas ideias, e por outro lado trouxe novos pontos que tenho certeza que me ajudarão a ser uma matemática melhor” diz María Amelia Salazar.

Participar de uma entrevista com a professora Karen Uhlenbeck foi uma experiência única. Primeiro, porque foi uma oportunidade de conversar com uma pessoa que produz matemática de excelência e que tem pontos de vista muito interessantes sobre diversos aspectos que envolvem a vida de uma pesquisadora.  Aliado a isto, temos o fato de que ela é ciente de como os diferentes momentos da história influenciam no acesso e realidade das mulheres dentro da universidade, o que propicia uma oportunidade de aprender através das suas ricas e interessantes experiências”, diz Miriam da Silva Pereira.

Poder ter entrevistado um dos meus ídolos matemáticos é uma memória que eu levarei para sempre, mas o aspecto que mais me impactou foi a oportunidade de trabalhar nesse projeto com outras mulheres. Meus orientadores sempre foram homens, e eu nunca havia interagido muito pessoalmente com professoras. Foi uma experiência extremamente positiva que espero poder repetir no futuro” diz Patrícia Ewald.

Foto de um trecho da entrevista

Mas quem olha a entrevista pronta, não imagina o trabalho intenso feito nos bastidores para garantir este sucesso. A entrevista foi cuidadosamente elaborada e arquitetada pelas entrevistadoras juntamente com o vice-coordenador do INCTMat, professor Lorenzo J. Díaz (PUC-Rio), que dedicaram meses montando cada minuto desta entrevista.

Confira a entrevista completa AQUI!